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Otites: prevenção é o melhor remédio

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Domingo, 26 de Maio 2002
Autor: Sofia Marques (médica veterinária): Animais e Companhia

Otites: prevenção é o melhor remédio
O Mike sempre sofreu de otites em cachorro. Agora com 5 anos de idade, surgiu uma otite que teima em não passar. Os donos, desesperados, recorreram ao veterinário em busca de ajuda. O cão foi a várias consultas antes de se descobrir a verdadeira causa. Foi um autentico desafio tratar este caso. O animal apresentava-se triste e coçava-se muito por todo o corpo, apesar de não se verem parasitas externos.

É deveras uma frustração ter de tratar de otites crónicas ou recorrentes. As frequentes visitas ao veterinário, o custo oneroso da maioria das pomadas auriculares e a fuga do animal assim que vê o algodão na mão, transtornam o mais cuidadoso dos donos! As otites requerem muita paciência e dedicação quer no diagnóstico quer no tratamento apropriado. É uma doença muito traumatizante quer para o cão quer para os donos e que sendo mal cuidada, a longo prazo pode conduzir à surdez do animal.

Porque é que alguns cães tendem a sofrer de otites?

Em primeiro lugar a própria anatomia do pavilhão auricular contribui muitíssimo na prevalência das otites. O sentido agudo de audição que os cães possuem deve-se especialmente ao facto deste pavilhão auricular se comportar como um megafone invertido, que conduz o som por meio de um canal em forma de L até ao ouvido médio e daí ao ouvido interno e cérebro onde os sons são descodificados e entendidos. Pois é.

O problema é quando esse canal: a) possui muitos pêlos (caniche, bichon, fox-terrier pêlo arame, schnauzer), b) produz muita cera (pastor alemão, cão da serra-da-estrela), c) ganha humidade (após o banho ou apanhar chuva) ou d) é mal arejado devido ao formato “caído” da orelha (cockers, retrievers, spaniels). Todos estes factores contribuem para um ambiente quente, húmido e nutritivo, ideal para o desenvolvimento de ácaros, bactérias ou leveduras que são os microorganismos principais culpados das otites dos nossos queridos cães.

A otite externa é a mais vulgar doença dos ouvidos. Claro que sendo mal cuidada pode mais tarde originar uma otite média ou mesmo interna, mas não é muito vulgar.

Como é que se vê que o cão tem otite? Pode notar-se um ou vários destes sintomas: mau cheiro das orelhas, comichão com ou sem gemidos de dor, descarga de cor variada (desde o amarelado até ao castanho-chocolate), abanar a cabeça nem que seja apenas para um dos lados, o cão furta-se a ser examinado por causa da dor, orelhas muito vermelhas, quentes, ou mesmo inchadas (bolsa de sangue causada pelo rebentamento de vasos sanguíneos sub-cutâneos situados entre a pele da orelha e a cartilagem auricular, devido ao acto de se coçar violentamente).

Qual é a principal causa da otite externa?
Pode não acreditar, mas são as alergias! Cerca de 75% dos cães que sofrem de atopia (equivalente à febre dos fenos humana) tendem a aparecer com otite. Outra causa muito importante são as praganas (espigas secas de erva) muito prevalentes no nosso país de Maio a Agosto. Neste caso os cães apresentam a cabeça inclinada para o lado do ouvido com a pragana, coçam e gemem de dor. O aparecimento destes sintomas é repentino, após o animal ter andado no meio das ervas, ou mesmo horas mais tarde quando a espiga avança para o tímpano, sob risco de o perfurar. Não há cera ou outro liquido pastoso visível. A única solução é o médico veterinário remover a pragana com o auxílio de uma pinça especial.

Cães com hipotiroidismo são muito propensos a otites crónicas. Conforme pode verificar, com tantas causas possíveis, o diagnóstico da verdadeira causa é essencial à cura.

Diagnóstico correcto
Muitos donos infelizmente tentam resolver este problema com medicamentos de uso humano. O problema é que nem esses medicamentos são habitualmente apropriados, nem têm aplicadores adaptados à aplicação correcta no canal auricular do cão.

Se suspeita de otite, leve o seu cão ao veterinário para um exame cuidadoso. Ele observará o canal auricular externo por meio de um otoscópio, avaliando o grau de inflamação, tipo de cera, presença de corpos estranhos ou tumores, presença de ácaros e estado da membrana do tímpano (se esta estiver visível). Se necessário pode recolher um pouco da cera para exame cultural posterior a fim de determinar o tipo de microorganismos responsáveis pela infecção.

Não se admire se o seu cão tiver de ser sedado a fim de poder ser examinado! Por vezes a dor è tão intensa que o cão não tolera a presença do otoscópio no ouvido. Especialmente quando estamos perante corpos estranhos, a sua remoção deve ser cuidadosa para que não se danifique a membrana do tímpano.

Tratamento
O médico veterinário prescreverá uma pomada apropriada ao tipo de infecção presente. Há certos casos raros que exigem tratamento via sistémica à base de antibióticos e anti-inflamatórios. Normalmente as pomadas instilam-se no canal uma vez ao dia, todos os dias ou dia sim dia não (consoante o grau de gravidade do problema), depositando-se o mais fundo possível, massajando muito bem e limpando a seguir com o auxílio de algodão.

As pomadas geralmente são polivalentes, contendo anti-inflamatórios, antibióticos e antifúngicos associados ou não a acaricidas. O tratamento pode ter de se fazer por 2 semanas no mínimo. O cão às vezes não colabora. Nesse caso é preferível deslocar-se ao veterinário para que ele faça pelo menos os primeiros tratamentos enquanto a dor é muito insuportável. Nunca pare o tratamento antes do tempo recomendado! Não haver dor não significa estar já curado, atenção!

Se o animal sofrer de hipotiroidismo ou de atopia, tem de ser medicado para esse fim, senão as otites vão sempre recorrer.

Se a medicação falhar, pode haver necessidade de cirurgia para remover o canal auricular (remoção da pele e cartilagem mais externa, para permitir a drenagem e circulação de ar no canal). Isto é particularmente útil quando há estreitamento excessivo do canal ou existência de tumores ou polipos que obstruem o mesmo. O cão mantém a capacidade auditiva à mesma, apesar de esteticamente ficar feio! Os hematomas auriculares mencionados anteriormente (a tal bolsa de sangue no pavilhão auricular) devem ser removidos cirurgicamente. Caso não se opere, após a resolução do hematoma naturalmente, a orelha fica esteticamente feia, “encarquilhada” permanentemente.

PREVENÇÃO
Limpe as orelhas do seu cão uma vez por semana, especialmente se é de raça sensível a padecer de otites. Existem líquidos específicos de limpeza disponíveis no seu veterinário. Limpe sempre com algodão. Use cotonetes apenas no pavilhão auricular externo, nunca no canal. Coloque bolas de algodão nas orelhas do cão antes do banho.

Levante as orelhas do seu cão (caso sejam “caídas” naturalmente) com frequência para arejar o canal.

Forneça dieta específica para prevenir as alergias (caso o cão sofra de atopia). Por exemplo, o Mike começou a comer uma dieta comercial à base de peixe e batata, porque o veterinário descobriu que ele era alérgico ao amido de trigo contido na maioria das rações comerciais. Isto reduziu drasticamente as crises alérgicas do cão! Claro que o dono dele é consciencioso e mantém as orelhas do cão o mais limpas possível e evita a humidade quando lhe dá banho. Tudo isto contribui agora para o seu bem-estar e o Mike não tem otites há mais de um ano! Que isso aconteça também com o seu cão, caro leitor. A maioria dos cães, com bom acompanhamento veterinário e dedicação por parte dos donos, pode ser curada desta horrível maleita que é a otite!
Comentários (2)adicionar comentário
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16.03
bezinha19 disse:
pois é verdade...a minha cadela é bichon e desde pequenina que sofre de otits....o veterinario receita-lhe antibiotico mas ela teimam em aparecer de novo no ouvido da minha pequenina
08.09
JuliaCosta disse:
É verdade que muitas pessoas não prestam atenção aos ouvidos dos cães, e até dos gatos. Às vezes o mau cheiro do animal vem do cerúmen ( cera) e não do pêlo... Os líquidos para limpeza são óptimos pois massajando liberta a sujidade do interior que depois apanhamos com algodão. E cheiram bem :)
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